29.4.12

Segredo bem segredado.

    São tantas as palavras e tentativas inúteis dessa humanidade fracassada, desse povo iludido. São poemas, desenhos e histórias. São rabiscos, desejos e fotos. Ah, mortais, eles bem tentam registrar essa passagem insignificante no mundo. 
     Pensam que podem com cada olhar, com cada suspiro. Julgam que conseguem e se iludem, se iludem! Se iludem admirando uns aos outros e as obras alheias. E também há aqueles ainda mais infelizes: os presos em si mesmos. Esses explodem de emoções e buscam consolo nos traços que encontram por aí. 
    Pobres coitados, eles imaginam, e não passa disso, que sabem alguma coisa. Acham que podem com o que intitularam de vida. E vão, estudam e trabalham, provam e descansam, pintam e retratam. Para cair no mesmo buraco.
     Vão construindo a própria armadilha, vão cavando a própria cova. Manipulam uns aos outros, os desgraçados, e tentam se impôr! 
    Concebem conceitos para amar se privando da leveza. Nem os mais cobiçosos se safam!
    Fingem o tempo todo, sem tomar conhecimento. E ainda se dizem espertos, diferenciados. Pode essa? Cada qual com teu papel e vão vivendo esse teatro. Cada qual com tuas idéias e vão desfilando nesse palco. Mas quanta falsidade.
    Além do possível, eles se encantam, os sedentos! Tantas luzes e tantas cores que perdem-se no infinito. Criam regras e desregras, pedem ajuda e buscam socorro. Falam do tempo, refletem longamente sobre a existência. Mas não se dão conta dela! E assim, vão inventando emoções e descrevendo sensações... Simplórios.
    Vejo cada um crendo em cousa nova, vejo cada olho buscando seu arco-íris. Tão inseguros, tão necessitados... Mas foram eles que inventaram a insegurança!  Ah, quantas mentes maleáveis, sujas e ricas. 
    Cada um na tua crença e vão mergulhando nos dilemas. Se perdem nas angústias, buscam a salvação na criatividade. São subjetivos mas objetivos, são fortes mas incapazes. Ô realidade contraditória!
    Espíritos inertes, seguem com seus exércitos de zumbis, corpos adormecidos cobertos de poeira. Creem em tudo e todos, mas desconfiam do enorme resto.
    Ignorantes, tão ingênuos! Não sabem o quanto estão certos, fantasiando o universo dessa maneira. Todos com um livro no bolso repleto desses segredos inimagináveis, invejáveis e mágicos. Nem o mais ousado dos sonhos poderia chegar perto de querer (ou ter) o tesouro que realmente tem. E os tolos ainda buscam pelo segredo da felicidade.

2.4.12

Luz dos olhos teus

Você me fita com esses sóis misteriosos,
e eu sinto, eu vejo.
A firmeza, a certeza e a segurança desse brilho tão particular.
E ele toca, invadindo, despindo e enxergando.
Então chega o calor que seus raios esqueceram... 
Sem queimaduras, sem dor.
Aquele conforto de mãe, com o toque do amigo 
e o carinho do amor.
Pronto, irradiou!
Agora dê-se por satisfeita,
pois chegou o alívio de mais uma criatura
que o seu olhar tocou.

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