26.9.13

Quero estar noutro lugar

Me leve.
Leve-me,
Agora

Se não levar-me
Gritarei
Mas gritarei tão alto
Que ninguém no mundo aguentará
Então, todos com as mãos nos ouvidos
Vão me olhar
E, por um instante, sentir
Sentir a dor e o desejo

Somente agora que me escutou,
Poderá entender
A exasperação do meu pedido

Mas, por favor,
antes disso...
Me leve.

(Peço por favor
Se alguém de longe me escutar
Que venha aqui pra me buscar

Se o pensamento duvidar
Todos os meus poros vão dizer
Estou pronto

Vem me levar
Para um lugar
Longe daqui

A imensidão vai me abraçar)

E sabe por quê? Porque não sou daqui.

22.9.13

Vou compor mais uma pra você

(Preciso transfundir teu sangue pro meu coração, que é tão vagabundo)

Eu quero mais um beijo teu,
Que me arda do começo ao fim
Porque nos raios da tua retina
Vou me queimar

Nesse breu
Eu quero me despir de tudo
Entrar noutro mundo
Eu quero rodar no vento
Que se formou do sujo
Te arrancar as roupas que apertam a vontade

Nesses sussurros
Sinta a minha mão na sua
Estou te puxando enquanto derreto
Enquanto escorre pelo ralo os absurdos da minha mente
Passei os últimos dois dias arrancando sangue das minhas veias
Sangue vermelho e com cheiro de ferro, como o seu

ESCUTA
Te espero do outro lado do horizonte,
Onde tem dança e gente boa
E meus pés descalços se esfregam na terra que não é acimentada
Enquanto isso
Vou compor mais uma pra você.

(Me deixe hipnotizado prá acabar de vez com essa disritmia)

16.9.13

Vem, vamos morrer antes dos nossos pais

Te gosto tanto garoto, te gosto muito
Você toca aquele piano e eu percebo que te admiro 
Me manda coisas bonitas, e eu me perco nas suas palavras
Dou risada, faço graça, faço charme 

Vejo o seu olhar, escuto o que você não diz
E às vezes penso que realmente te entendo
Há coisas que palavras não dizem
Mas a gente sabe.

E me alegra saber
Que você com certeza vai ser
Alguém que eu vou levar pra sempre.


3.9.13

O amanhã não existe

Can you feel me?

Ando pelas calçadas molhadas e sujas: aqui e ali as pessoas me encaram
Eu as perfuro de volta, com um olhar que pede e que briga
Ninguém realmente se importa - nem mesmo eu

Você não pode jurar que nunca me fará chorar
Lágrimas, chuva e saliva na minha boca
Hoje o gosto é o mesmo

Finalmente virei a esquina. De súbito paro, assustada. 
Pra onde estou indo?
Você me deixou aqui assim, e não vejo outros ou outras em volta

Estou gritando que você não pode jurar que nunca me fará chorar
Aquilo em que eu acreditava era falso
E agora tropeço comicamente pelos caminhos molhados dessa chuva lamacenta

A verdade é que somos jovens e somos nada
O vento velho arde nos novos olhos
E o amanhã nunca existiu.

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