1.12.12

Por que me render ao mundo?

Quando ainda tenho tanto para dar.
Não toco os padrões -
enxergo-os.
Posso me render ao mundo,
entrar no frenesi humano,
Os batimentos instáveis, intensos e entorpecidos.
Todas as maravilhas,
entre o nojo profundo e desesperado.
E se me render ao mundo,
à paredes tão concretas,
na pressão infinita,
entre sonhos volúveis,
cheios de dúvidas do mais íntimo,
no tráfego de mentes - sem paradas ou freios, até a morte.

Ainda seria eu?

27.9.12

Fogo que arde e se vê.

     O vento uivava na janela, a luz oscilava, a goteira produzia ruídos alternados e incômodos, enquanto a chaleira apitava no fogão. Toda a instabilidade da cena era embalsada por chamas raras. Um fogo ardente, terrivelmente poderoso, que urrava como o vento e se espalhava com a força dos mares, começou a percorrer cada veia dela.
     E aquele fogo tomava conta de cada poro de seu corpo, e suas vontades já não eram suas, nem sua mente equilibrada como de costume. O outro também exalava chamas, e, de coração acelerado e pensamentos confusos, tentava avaliar a situação, mas já não possuía a sensatez habitual.
     Talvez fosse instinto, talvez tudo. Alguns gritariam: "É o amor, com a força do universo pronta para derrubar qualquer barreira e sacudir as molduras do infinito. É amor!". Mas o que realmente se apossava de seus corpos era impossível de se imaginar, retratar, ou sequer de se pensar! O que reinava de fato era apenas a sensação, falsa e momentânea, porém eterna e muito mais que apenas real.
      E então, à beira da loucura, o calor subiu aos olhos, e ambos se encontraram. Era vivo. Era vivo e era visível!  Como a intensidade de tudo, do comum ao completo desconhecido, estivesse ali, por trás de seus olhos, presa, estática, duradoura, arrebatadora, e inacreditavelmente visível. Eram chamas descontroladas em sua repressão. 
      Conceitos, regras, metáforas ou lindos versos, crenças e opiniões, pensamentos profundos e análises complexas, ou a simplicidade leve e bela, nada, nada mais se fazia necessário ou presente. Bastava um olhar. Um olhar apurado, aberto e preparado. Não só preparado, mas completamente pronto para ter coragem de admitir aquilo que escapa aos limites mentais e corpóreos de um ser humano, guiado pelos valores e pelas experiências de toda uma vida. Um olhar, e tudo se fazia resto. Porque era visível.
         Era visível, e era imenso.

29.7.12

Match Point



Posso contar nos dedos os filmes que mexem comigo a ponto de eu escrever sobre eles. Excluindo aqueles que são obras de arte, que podem até mudar sua vida - falo dos que realmente te desestabilizam.
Pois então, Match Point, esse me deixou particularmente abalada. Pode-se dizer ser apenas mais um bom filme do Woody Allen sobre a vida, muito bem, obrigada. Mas as cenas, a construção, os diálogos, a sequência dos acontecimentos, tudo empurra para uma tensão crescente e, claro, deliciosa. Simplesmente uma realidade qualquer - terrível, terrível.

Talvez apenas para concluir de um jeito menos desinteressante, aqui vai uma pequena (e obviamente incompleta) lista de filmes que todos deveriam assistir, mais cedo ou mais tarde:
Amelie Poulain; O Silêncio dos Inocentes; Vicky Cristina Barcelona; De Olhos Bem Fechados; Cisne Negro; Dogville; Millennium, Mar Adentro*; Beleza Americana; Os Intocáveis; Perfume; A Outra; Django; Precisamos falar sobre Kevin; O Iluminado; Abraços partidos; Elena.

*esse me levou a escrever quase que uma dissertação aqui no blog há algum tempo, o filme gira em torno da polêmica clássica - eutanásia.

São apenas os que eu me lembro agora, e não digo que são todos perfeita e absolutamente ótimos, mas com certeza, de um jeito ou de outro, valem a pena.

E ah, Match Point.

25.6.12

O tempo não para.

Dias sim, dias não,
eu vou vivendo a vida nessa solidão. Eu não tenho data pra comemorar, minhas idéias não correspondem aos fatos. Eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo o presente ir sem ser notado.

Quinze anos e agora sou menina moça. Moça de sonhos, moça de luz. Alegre, moça bonita, sorriso gostoso, olhos claros e escuros.
Mentira! Menina inocente, menina vítima. Triste, feia, sorriso apagado, olhos claros e escuros.
Mentira! Agora sou eu!
Agora sou mais eu. Moça menina, menina moça, pequena e enorme, cheia e vazia. Brilho, giro, amor pra dar. Crescida, madura, esperta, bobinha. Que escreve, que guarda, que pede, que diz, que convence, que canta, grita, ouve, escuta, olha, entende, abraça, cativa, irrita, aborrece. Não para, não fica, vem e vai, leva e deixa. Ilude e fantasia, experimenta, mente, finge sim, finge não, chora, quer, descobre, aprende. 

Levo uma vida sossegada, gosto de sombra e água fresca. Quanto tempo nós passamos sem saber? Baby, baby, não adianta tentar. Quando alguém está perdido, procurando se encontrar! Procurando qualquer lugar.
Somos feitos de cor, somos feito de gritos! Mudanças constantes, situação permanente. Deixe que pensem, deixe pensar. Deixe que digam, que falem, fale também!

De cada quinze anos, de cada ano novo, levar o melhor. O paraíso pode esperar, estamos apenas olhando a vida! Olhando os céus. Todo dia pode ser ano novo, todo dia é ano novo pra alguém. E vai ser pra sempre. De cada estrela, roube o brilho, de cada momento, a sensação. Quem vive de passado é museu - e também é humano. Mas o horizonte nunca some.

Agora sou moça menina, feita de tudo que vivi até aqui. Nem foi tempo perdido... Ainda somos tão jovens! 

30.5.12

"Ando por aí querendo te encontrar,

em cada esquina paro em cada olhar"...
Parece coisa de louco: é como se eu já estivesse consumida.
Por alguém que nem conheço!
Mas que, na verdade, conheço mais do que todos ou qualquer um.
Sei de cada segredo e imagino cada detalhe;
quase posso sentir o sabor.
Mas como, como seria possível?
Um amor assim como o meu, tem o mundo INTEIRO de possibilidades.
E assim sendo, vivo menina -
cheia de fantasias, crescendo na esperança por qualquer vestígio; procurando a magia da própria mente em cada brecha da realidade.


29.4.12

Segredo bem segredado.

    São tantas as palavras e tentativas inúteis dessa humanidade fracassada, desse povo iludido. São poemas, desenhos e histórias. São rabiscos, desejos e fotos. Ah, mortais, eles bem tentam registrar essa passagem insignificante no mundo. 
     Pensam que podem com cada olhar, com cada suspiro. Julgam que conseguem e se iludem, se iludem! Se iludem admirando uns aos outros e as obras alheias. E também há aqueles ainda mais infelizes: os presos em si mesmos. Esses explodem de emoções e buscam consolo nos traços que encontram por aí. 
    Pobres coitados, eles imaginam, e não passa disso, que sabem alguma coisa. Acham que podem com o que intitularam de vida. E vão, estudam e trabalham, provam e descansam, pintam e retratam. Para cair no mesmo buraco.
     Vão construindo a própria armadilha, vão cavando a própria cova. Manipulam uns aos outros, os desgraçados, e tentam se impôr! 
    Concebem conceitos para amar se privando da leveza. Nem os mais cobiçosos se safam!
    Fingem o tempo todo, sem tomar conhecimento. E ainda se dizem espertos, diferenciados. Pode essa? Cada qual com teu papel e vão vivendo esse teatro. Cada qual com tuas idéias e vão desfilando nesse palco. Mas quanta falsidade.
    Além do possível, eles se encantam, os sedentos! Tantas luzes e tantas cores que perdem-se no infinito. Criam regras e desregras, pedem ajuda e buscam socorro. Falam do tempo, refletem longamente sobre a existência. Mas não se dão conta dela! E assim, vão inventando emoções e descrevendo sensações... Simplórios.
    Vejo cada um crendo em cousa nova, vejo cada olho buscando seu arco-íris. Tão inseguros, tão necessitados... Mas foram eles que inventaram a insegurança!  Ah, quantas mentes maleáveis, sujas e ricas. 
    Cada um na tua crença e vão mergulhando nos dilemas. Se perdem nas angústias, buscam a salvação na criatividade. São subjetivos mas objetivos, são fortes mas incapazes. Ô realidade contraditória!
    Espíritos inertes, seguem com seus exércitos de zumbis, corpos adormecidos cobertos de poeira. Creem em tudo e todos, mas desconfiam do enorme resto.
    Ignorantes, tão ingênuos! Não sabem o quanto estão certos, fantasiando o universo dessa maneira. Todos com um livro no bolso repleto desses segredos inimagináveis, invejáveis e mágicos. Nem o mais ousado dos sonhos poderia chegar perto de querer (ou ter) o tesouro que realmente tem. E os tolos ainda buscam pelo segredo da felicidade.

2.4.12

Luz dos olhos teus

Você me fita com esses sóis misteriosos,
e eu sinto, eu vejo.
A firmeza, a certeza e a segurança desse brilho tão particular.
E ele toca, invadindo, despindo e enxergando.
Então chega o calor que seus raios esqueceram... 
Sem queimaduras, sem dor.
Aquele conforto de mãe, com o toque do amigo 
e o carinho do amor.
Pronto, irradiou!
Agora dê-se por satisfeita,
pois chegou o alívio de mais uma criatura
que o seu olhar tocou.

24.2.12

A dor queima
e queima alastrando as chamas.
A rendição se torna inevitável
e ela, na inocência da criança,
sucumbe à angústia.
Tudo aquilo que já foi encantador
abandona a criatura,
agora marcada.
Ah, querida,
eu vou estar te esperando.
E quando você retornar do mergulho infrutífero que te envolveu,
encontrará uma superfície iluminada que te aguarda, limpa, tentadora.
Ah, eu sei da dor.
Mas já basta, está na hora,
sua alma anseia por tua coragem.
Venha, venha logo,
o conforto não pode aguardar por muito tempo.

3.1.12

Um feliz ano novo e uma coisa para compartilhar.

"Titubeio perigosamente
Trafego numa embriaguez dormente
Desfilando sem holofotes
Expondo náuseas de sigilos perdidos
Incorporo e absorvo as dores que vibram
No entorno passante e nos desconhecidos
No meu âmago doentio e de feridas abertas
Ah...
Já percorri esse caminho
Conheço as cores do seu chão...
Observo, silenciosamente,
O rumo a ser tomado dessa vez
O tempo passado
Faz com que o abismo seja mais profundo
E o mergulho é mais escuro
O caos é mais impregnante e devassador
A volta, inacessível
O tempo passado
Faz com que a escalada seja mais alta
E a contemplação mais prazerosa
O ensolarado é mais revelador e espetacular
O topo, permanente
Observo silenciosamente (e em segredo)
Apenas contemplo."

Por: Sandra Colleti - mais conhecida aos leitores como minha mãe.


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