22.1.20

Salvador amanheceu tempestuosa

O horizonte cinza borrado entre céu e mar assemelha-se às bordas da minha própria memória. Entre o branco e o preto (nunca branco, nem preto) demarcam-se as fronteiras dos meus pensamentos. Os passarinhos cinza-escuros que, de asas molhadas, lutam contra o choro das nuvens são minhas dúvidas e certezas, e eu sorrio ao perceber que eles voam perto e voam bem, mesmo quando sozinhos. Abro a janela para receber o vento vindo das margens da minha mente no rosto, e as gotas d'água, minhas emoções, me recebem de volta, em dança e festividade. Estou céu e mar, brisa e voo, beira e chuva. E por hoje não há beleza maior que esse cinza infinito.

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