11.12.13

111213

Corri um deserto inteiro e cheguei do outro lado do mundo
Do outro lado do mundo, tudo estava incrivelmente mais leve e deliciosamente diferente

Estou nua diante de uma platéia invisível
Cerca-me tudo aquilo que já ameaçou me devorar 
Me perco na confusão dos meus sonhos 

Danço contente nesse lugar gostoso 
Rodopio com vontade e sem medo do abismo que paira logo ao meu lado 
Estou suada e cansada e dando risada a toa 

A um palmo de me sentir só demais, ouço você próximo/a
Te mordo com vontade 
Esse barulho me acalma o corpo 

Sinto uma sonolência amiga e adormeço no seu colo. Tudo está bonito
É hora de um novo milênio 


25.11.13

Ouvindo Johnny Cash

Não tenho força pra lutar contra mim mesma

eu
meus fones de ouvido
minha mente conturbada
minha vida de brincadeirinhas
minhas perguntas não respondidas
eu
meu nome, meus olhos, alguma intensidade
minha dor


Não tenho mais sentido
Não tenho mais palavras pra escrever
Não tenho mais juízo
Não tenho mais ninguém pra recorrer

E todos esquecem, esquecem, esquecem, esquecem. Eu-me-lembro.
A chuva fina
Contra meus olhos quentes
Me fez fria

13.11.13

Quem disse que lua não cura

Se eu morasse na lua,
estaria distante de tudo e de todos
E sozinha na lua,
não me sentiria mais sozinha do que me sinto aqui

Se meu lar fosse a lua,
de fase em fase, nos tornaríamos amigas
E amiga da lua,
não me sentiria tão sozinha quanto me sinto aqui

Ah, se eu pudesse deitar-me na lua
Seria toda dela, ela seria toda minha
De um jeito que ninguém nunca foi de ninguém

Se essa lua fosse minha
Faria do seu luar um luar mais belo ainda
Se somente essa lua
essa lua que não tem dono nem lugar certo do mundo
Se somente essa lua
tão como eu
Se somente ela fosse minha...

Ei,
vem ser sozinha comigo.

10.11.13

Madrugada heavy metal

Te joguei na cara a verdade nua e crua 
Já disposta a pagar o preço e correr os ricos 
Ainda está tudo muito fresco
Agora me resta ignorar o medo e aguardar o que vem

Quero que você saiba que foi por amor
Uma dose egoísta de teimosia em aceitar a covardia alheia, sim
Mas principalmente por achar que vale a pena

Nunca quis te magoar, e sua dor dói em mim
Mas de dentro do meu âmago, digo: isso vem para o bem
Não tenho tanta pena, tenho mais fé e esperança

Ver essa parte sua - parte de encanto puro e genuíno - crescer será bonito.

E quem sabe apazigue um pouco dessa solidão que trago no peito
Porque sinto sua falta 
Quando sinto seu cheiro

7.11.13

Me morde, te mordo

Te olhando agora
Me pergunto quem é você

Me olhando agora
Me pergunto o que você fez de mim

Quase sem querer
Cerrei pálpebras e me entreguei
No fim,
Você me jogou no chão junto com dor e solidão

Assisti minhas crenças desabando, 
Uma por uma, num monte de terra suja
Enquanto sua sombra caminhava calmamente pra longe
Achei que te tinha. Você me teve

Estou perdida na minha fantasia, buscando alguém que nunca veio
Pra quem eu segredei as angústias de uma vida
Vou morrer calada agora. 
(sinto falta daquele passado onde, pra me sentir protegida, te abraçava
será que esse foi real?)

UM BAQUE:
O presente foi interrompido bruscamente
Tudo aquilo que eu imaginava se desfez
Em cinco dias de chuva fria e parada 
Os planos ficaram pra trás 

A pergunta é se alguém se importa
A resposta é não 
A pergunta é se eu estive realmente sozinha todo esse tempo
Não quero te ouvir dizer sim

Vou me machucar
Sangrar o sangue que estava disposta e te dar (aquele que nunca quis que me tirassem do corpo)
Rasgar a garganta se preciso
Mas revido nesse mundo desgraçado
E depois sigo vivendo, como todos

2.11.13

morrer dormir dormir talvez sonhar

estou encarando o abismo de perto agora
desconheço o sabor, a textura, a cor
mas sei que há um pouco de mim lá
assim como ainda há um pouco de você em mim

não me olhe agora, minha boca está vermelha demais
não de beijos
meus olhos estão gelados e aguados demais
não de frio

nada está no lugar
vou rasgar com os dentes esse mundo maldito
correr pra não sei onde
e nada vai ficar no lugar

1.11.13

12:40

Guardou o material, se esforçou para caber no meio da muvuca. Desceu escadas. Passou pela porta da escola no meio de tantos outros adolescentes, crianças, colegas. Via neles outras idéias, sentimentos, pensamentos que talvez nem estivessem lá. Mas era bom crer. 

Saiu pelo portão debaixo do sol, se demorou um pouco conversando com os amigos. Despediu, beijou o namorado, desceu a rua. Namorado? Vida estranha. Ligou pra mãe, ia almoçar com o pai. Virou a direita no fim da esquina e seguiu reto. 

13:00

Enquanto caminhava, olhava o mundo. Lhe passava tanto pela cabeça que se perdia. Passando pelo clube, sentiu o velho cheiro de sauna. De repente:
- Ei, mocinha!
Sobressaltou-se. Girou 180 graus nos tornozelos. Era o pai. 
- Nossa, não te vi aí.
- Daquela vez eu não te vi, dessa você que não me viu. 

Semana passada eles almoçaram separados, no mesmo restaurante. O pai não a viu, apesar de estar de frente para as costas dela. Se aperceberam somente na saída. Vida estranha.

Voltando: saudade, abraço. Continuaram a curta caminhada para o restaurante. Chegaram. Bonito lá. 

13:10

Se serviu e foi para fora. Mesa de madeira numa espécie de jardim. Haviam duas: uma vazia, na outra dois homens. Moços. Na mesa deles, somente dois copos vazios. Olharam não tão discretamente. Perfurou de volta, pensando nas sacanagens que ouvia nas ruas. Não era o caso. Sentou-se e pôs-se a esperar o pai. 

Os companheiros ao lado falavam audivelmente. Um deles ainda olhava de lado. Encarou. Ouviu.

- ... Quer dizer, qual é o sentido, cara? Eu vivo me perguntando isso.

- Acho que o negócio é ser feliz. Ela é sua esposa, vocês se parecem de algum jeito. 

Curiosidade acendeu. Interesse despertado. Quem eram? O mais jovem ainda analisava pelo canto do olho, como se a estivesse medindo.

O pai chegou. Sorrisos, almoço agradável.

13:30

Os rapazes da mesa ao lado continuavam conversando. Fim do almoço. Gelatina de sobremesa. Se levantaram para ir embora. Olhou uma última vez, ainda curiosa. Vida estranha. Mas foi embora.

Na semana seguinte questionariam sua indignação perante a sujeira do mundo. Ficaria triste. 
As coisas tristes ainda estavam começando. 

22.10.13

Colorido preto e branco

O tempo está passando como num filme

Ei,
me peguei pensando em você.
Olhando você
Querendo você
Falando de você

O vento, preto e branco, roça os nossos cabelos
E sussurra nos nossos ouvidos.
Estou toda de preto, e acho suas cores bonitas

Te pergunto:
me quer pra você? É que às vezes não quero ser eu
Quero ser outra
E sei que há um pouco de você em mim, mas não tenho pressa

Pelos meus olhos não tão verdes tenho enxergado danças
Me vejo vendo e me vejo me entregando
Tenho um segredo: num tempo próximo,
não vou mais pensar em nada.

Enquanto isso vou assistindo esse filme colorido preto e branco


26.9.13

Quero estar noutro lugar

Me leve.
Leve-me,
Agora

Se não levar-me
Gritarei
Mas gritarei tão alto
Que ninguém no mundo aguentará
Então, todos com as mãos nos ouvidos
Vão me olhar
E, por um instante, sentir
Sentir a dor e o desejo

Somente agora que me escutou,
Poderá entender
A exasperação do meu pedido

Mas, por favor,
antes disso...
Me leve.

(Peço por favor
Se alguém de longe me escutar
Que venha aqui pra me buscar

Se o pensamento duvidar
Todos os meus poros vão dizer
Estou pronto

Vem me levar
Para um lugar
Longe daqui

A imensidão vai me abraçar)

E sabe por quê? Porque não sou daqui.

22.9.13

Vou compor mais uma pra você

(Preciso transfundir teu sangue pro meu coração, que é tão vagabundo)

Eu quero mais um beijo teu,
Que me arda do começo ao fim
Porque nos raios da tua retina
Vou me queimar

Nesse breu
Eu quero me despir de tudo
Entrar noutro mundo
Eu quero rodar no vento
Que se formou do sujo
Te arrancar as roupas que apertam a vontade

Nesses sussurros
Sinta a minha mão na sua
Estou te puxando enquanto derreto
Enquanto escorre pelo ralo os absurdos da minha mente
Passei os últimos dois dias arrancando sangue das minhas veias
Sangue vermelho e com cheiro de ferro, como o seu

ESCUTA
Te espero do outro lado do horizonte,
Onde tem dança e gente boa
E meus pés descalços se esfregam na terra que não é acimentada
Enquanto isso
Vou compor mais uma pra você.

(Me deixe hipnotizado prá acabar de vez com essa disritmia)

16.9.13

Vem, vamos morrer antes dos nossos pais

Te gosto tanto garoto, te gosto muito
Você toca aquele piano e eu percebo que te admiro 
Me manda coisas bonitas, e eu me perco nas suas palavras
Dou risada, faço graça, faço charme 

Vejo o seu olhar, escuto o que você não diz
E às vezes penso que realmente te entendo
Há coisas que palavras não dizem
Mas a gente sabe.

E me alegra saber
Que você com certeza vai ser
Alguém que eu vou levar pra sempre.


3.9.13

O amanhã não existe

Can you feel me?

Ando pelas calçadas molhadas e sujas: aqui e ali as pessoas me encaram
Eu as perfuro de volta, com um olhar que pede e que briga
Ninguém realmente se importa - nem mesmo eu

Você não pode jurar que nunca me fará chorar
Lágrimas, chuva e saliva na minha boca
Hoje o gosto é o mesmo

Finalmente virei a esquina. De súbito paro, assustada. 
Pra onde estou indo?
Você me deixou aqui assim, e não vejo outros ou outras em volta

Estou gritando que você não pode jurar que nunca me fará chorar
Aquilo em que eu acreditava era falso
E agora tropeço comicamente pelos caminhos molhados dessa chuva lamacenta

A verdade é que somos jovens e somos nada
O vento velho arde nos novos olhos
E o amanhã nunca existiu.

18.8.13

Ampulheta

Você me aperta contra seu peito e eu sinto o vazio um pouco menor
Me pergunto algumas daquelas mil perguntas
Tenho medo de abrir meus olhos, quero continuar quieta nos teus braços
A verdade é que eu não quero enfrentar o mundo lá fora
Só não agora

Estou sentindo aquela velha melancolia, e hoje não há quem minta que vai passar

As pessoas me diziam que não se pode desistir da vida, porque ela sempre vale a pena
Que o tempo cura todas as feridas
Mas o incômodo que eu sinto no fundo do peito diz o contrário

Minha maquiagem borrada, meus olhos que eu queria verdes
Tudo o que eu precisava era continuar encolhida
Me entorpecer nessa anestesia efêmera


Estou te esperando
Estou esperando você chegar e me puxar pela mão
Seguir seus passos escuros por um mundo com ar novo
Talvez não seja digna dos meus sonhos
Mas quero olhar no fundo do olhar de alguém e entender por que estamos aqui



7.8.13

Num escuro qualquer

Escuto sua respiração perto de mim
Você anda tão calmo...
Mas meu sangue está fervendo! 

No escuro eu observo, fissurada, seus olhos caramelo
No mesmo escuro, eu toco seus lábios chocolate:
Quero novos sabores seus.

Mas se estamos a dois centímetros um do outro, 
Por que sinto como se fossem metros infinitos?
E por favor, não me toque com esses dedos frios,
Meu corpo está escorrendo calor.

Penso sozinha:
Socorro, socorro. Socorro.
E, por fim, sussurro -
Qual a porra do sentido da vida?

1.8.13

Semana passada

Flashes de cor e som me invadem a consciência
E a cada piscar de olhos
Te vejo rindo e falando...
Vejo vocês.

No escuro, antes de adormecer,
Enxergo uma vez mais aqueles momentos
Mas, longe de mim,
Eles vão se perdendo.

Tão poderoso é o esquecimento
E no medo de não lembrar,
Luto contra o tempo. Contra a rotina que agora me oprime.

E, por fim, enquanto o sangue quente correr,
Viajar e provar do mundo, menino
É sempre o que eu vou querer.

14.7.13

Dama da noite

De pétalas brancas eu te cobri,
dama da noite
Pétalas quase tão brancas quanto você

Nos seus lábios vermelhos eu me perdi,
dama da noite
Antes de perder você

No verde dos seus olhos eu mergulhei
E na mais amarga escuridão você me deixou

Dama da noite,
Sua imagem se desfez em pó

Mas enquanto escuto o rock pesado,
Trilha sonora dos nossos desejos,
Quase sinto o calor da sua pele na minha de novo

Agora, minha dama, quero morrer
Morrer de overdose do cheiro de flor
Que você deixou nas minhas roupas.

25.5.13

Reflexo de uma memória

Ontem a noite estava tão fria, ontem o mundo ficou tão quieto
Por que será que eu sempre
Te quis tanto?

Exalando esse seu hálito agridoce
Te vi dar dez passos em frente
E ninguém mais parou de sofrer.

Respirações ofegantes ansiavam,
Te vi dar dez passos de volta
Desisti de morrer.

Mas você acabou indo pra tão longe
Acabou indo porque não pertence
(ainda bem) À lugar nenhum.

O ar gelado e parado que ficou
Me açoitou os desejos.

Um último pedido:
Me diz
Quem é você?

28.2.13

Fevereiro de paixão

"Eu não sou romântica" ela pensava. Mas enquanto ele se aproximava naquela chuvinha fina, no fim de uma tarde monótona de terça-feira, não havia como deixar de pensar o quanto aquilo parecia um filme. Assim que ele chegou, ela perfurou-o com um olhar inteligente.
- É verdade?
- É. Já faz bastante tempo que é.
Ele olhou em volta pra rua vazia, sem demonstrar nervosismo. A chuva já estava ficando mais forte, e os carros passavam espirrando água nas calçadas.
- E por que só agora?
- Por medo. Você sabe, acontece com os melhores.
Ela sentia vontade de chorar. Era tarde demais.
- Medo... Você já sabe que não dá mais tempo. E agora?
Ele também parecia triste, mas ainda tinha uma certa esperança lá no fundo.
- Agora você me diz o que sente. Nunca é tarde demais.
Ela soltou um muxoxo.
- Nunca é tarde demais pra mudar de ideia. Mas eu não quero mudar de ideia. O que eu sinto?
Ela entrelaçou suas mãos com as dele e se aproximou devagar. A chuva já caia em gostas pesadas quando eles se beijaram intensa e longamente. Ele sorriu, mas era um sorriso triste. Por que ela tinha que ser tão dura?
- O que eu sinto agora não chega perto do que eu sentia antes. E eu não quero voltar atrás. Sem drama, ok? Quem sabe numa outra vez.
Um aceno, e aqueles minutos viraram mais uma história.

31.1.13

Gotas

Deitada nessa chuva pensando em você
A água insiste e quase toca aquilo que deve permanecer isolado.
Mas eu imagino e o mundo gira,
na palma da minha mão e o mundo gira.
Os olhos voltam pro lugar e vejo duas pupilas dilatadas.
Quem é você?

Palavras mudas te vazam pelo olhar - meu coração dispara.
Girando o mundo, na palma da minha mão,
e o mundo segue girando.
Ninguém para pra olhar.
Num fluxo contínuo, as pessoas refletem a transparência do universo.
Ninguém para pra olhar.
Mas eu estou ali! Sentindo tanto. Sentindo muito.
Me jogo no chão -
vergonhas nuas e gritantes escapam contra a vontade,
e eu penso: quero ver as suas.

A chuva ainda não parou e gotas solitárias escorrem pelo meu cabelo.
Gotas de paixão fervente, solidão angustiada,
belezas sinceras e amor desconhecido. Gotas de chuva fria.
Gotas de mim.
Mas e você, quem é?

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