14.2.14

Comptine d'Un Autre Été

"Bem como uma bola de fogo crescendo por dentro, se arrastando pelos cantos. Não sei mais onde guardá-la. Começou queimando meus órgãos, ferveu meu sangue, agora arde minha pele.

Me lembro de quando era pequeno e queria crescer pra poder mudar o mundo logo. Esse mundo errado que assombrava meu sono. Cresci. Cresci e não quero suportar a imutabilidade das coisas. Coisas intocáveis.

Sofro me desprezando por meu próprio sofrimento. Porque o sofrimento alheio é infinitamente maior. Como poderia me permitir sofrer, diante do que me cerca?

Dentro de mim explodem, gritando, as vontades. Mas o som também não tem mais lugar pra ficar. Não no meio do tanto que já ecoa.

Na rua, me fixo em rostos desconhecidos. Há uma maldição de olhar e ver mais do que está simplesmente ali. Deduzindo o passado, analisando o presente, imaginando o futuro de cada rosto novo. Querendo ir embora, sedento por mais.

O que fazer com uma alma pendurada em contradições?
De tudo, o mais importante: A arte foi meu sopro de vida. Meu espaço real, minha libertação. Foi começo, meu meio, meu fim."

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