18.9.14

Morra na filosofia

Pra que rimar amor e dor? Ao invés de ver o sol se pôr
Vamos parar, meu caro
Enquanto inda é tempo
Mas proteja sua mente da deterioração humana, tão puritana
Não tema ser fraco, porque assim já seria
Morra na filosofia,
Que é meu berço, meu leito, meu mar
Meu discurso final
Nossa maior desgraça, minha melhor delícia.

12.9.14

Pra lá não há

você não me espera, eu sei, eu sei que você não me espera
do outro lado desse turbilhão do florescer
não há ninguém no após, sei que estou sozinha no restart
e que talvez nunca venha alguém

mas por que, se eu quis tanto
e mastiguei as minhas ferrugens, e mudei a cor da minha retina
e engoli o resto com ácido
num gesto rápido
escasso

por que, se eu amei tanto, sem nunca ter aprendido como
e eu morri, e voltei zumbi
pra me dar, de novo, a essa estranheza
tão comum à mocidade
no fim, tá tudo o mesmo e não há ser vivo do outro lado
e eu sei - eu já sabia
e talvez goste
assim.

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