25.11.13

Ouvindo Johnny Cash

Não tenho força pra lutar contra mim mesma

eu
meus fones de ouvido
minha mente conturbada
minha vida de brincadeirinhas
minhas perguntas não respondidas
eu
meu nome, meus olhos, alguma intensidade
minha dor


Não tenho mais sentido
Não tenho mais palavras pra escrever
Não tenho mais juízo
Não tenho mais ninguém pra recorrer

E todos esquecem, esquecem, esquecem, esquecem. Eu-me-lembro.
A chuva fina
Contra meus olhos quentes
Me fez fria

13.11.13

Quem disse que lua não cura

Se eu morasse na lua,
estaria distante de tudo e de todos
E sozinha na lua,
não me sentiria mais sozinha do que me sinto aqui

Se meu lar fosse a lua,
de fase em fase, nos tornaríamos amigas
E amiga da lua,
não me sentiria tão sozinha quanto me sinto aqui

Ah, se eu pudesse deitar-me na lua
Seria toda dela, ela seria toda minha
De um jeito que ninguém nunca foi de ninguém

Se essa lua fosse minha
Faria do seu luar um luar mais belo ainda
Se somente essa lua
essa lua que não tem dono nem lugar certo do mundo
Se somente essa lua
tão como eu
Se somente ela fosse minha...

Ei,
vem ser sozinha comigo.

10.11.13

Madrugada heavy metal

Te joguei na cara a verdade nua e crua 
Já disposta a pagar o preço e correr os ricos 
Ainda está tudo muito fresco
Agora me resta ignorar o medo e aguardar o que vem

Quero que você saiba que foi por amor
Uma dose egoísta de teimosia em aceitar a covardia alheia, sim
Mas principalmente por achar que vale a pena

Nunca quis te magoar, e sua dor dói em mim
Mas de dentro do meu âmago, digo: isso vem para o bem
Não tenho tanta pena, tenho mais fé e esperança

Ver essa parte sua - parte de encanto puro e genuíno - crescer será bonito.

E quem sabe apazigue um pouco dessa solidão que trago no peito
Porque sinto sua falta 
Quando sinto seu cheiro

7.11.13

Me morde, te mordo

Te olhando agora
Me pergunto quem é você

Me olhando agora
Me pergunto o que você fez de mim

Quase sem querer
Cerrei pálpebras e me entreguei
No fim,
Você me jogou no chão junto com dor e solidão

Assisti minhas crenças desabando, 
Uma por uma, num monte de terra suja
Enquanto sua sombra caminhava calmamente pra longe
Achei que te tinha. Você me teve

Estou perdida na minha fantasia, buscando alguém que nunca veio
Pra quem eu segredei as angústias de uma vida
Vou morrer calada agora. 
(sinto falta daquele passado onde, pra me sentir protegida, te abraçava
será que esse foi real?)

UM BAQUE:
O presente foi interrompido bruscamente
Tudo aquilo que eu imaginava se desfez
Em cinco dias de chuva fria e parada 
Os planos ficaram pra trás 

A pergunta é se alguém se importa
A resposta é não 
A pergunta é se eu estive realmente sozinha todo esse tempo
Não quero te ouvir dizer sim

Vou me machucar
Sangrar o sangue que estava disposta e te dar (aquele que nunca quis que me tirassem do corpo)
Rasgar a garganta se preciso
Mas revido nesse mundo desgraçado
E depois sigo vivendo, como todos

2.11.13

morrer dormir dormir talvez sonhar

estou encarando o abismo de perto agora
desconheço o sabor, a textura, a cor
mas sei que há um pouco de mim lá
assim como ainda há um pouco de você em mim

não me olhe agora, minha boca está vermelha demais
não de beijos
meus olhos estão gelados e aguados demais
não de frio

nada está no lugar
vou rasgar com os dentes esse mundo maldito
correr pra não sei onde
e nada vai ficar no lugar

1.11.13

12:40

Guardou o material, se esforçou para caber no meio da muvuca. Desceu escadas. Passou pela porta da escola no meio de tantos outros adolescentes, crianças, colegas. Via neles outras idéias, sentimentos, pensamentos que talvez nem estivessem lá. Mas era bom crer. 

Saiu pelo portão debaixo do sol, se demorou um pouco conversando com os amigos. Despediu, beijou o namorado, desceu a rua. Namorado? Vida estranha. Ligou pra mãe, ia almoçar com o pai. Virou a direita no fim da esquina e seguiu reto. 

13:00

Enquanto caminhava, olhava o mundo. Lhe passava tanto pela cabeça que se perdia. Passando pelo clube, sentiu o velho cheiro de sauna. De repente:
- Ei, mocinha!
Sobressaltou-se. Girou 180 graus nos tornozelos. Era o pai. 
- Nossa, não te vi aí.
- Daquela vez eu não te vi, dessa você que não me viu. 

Semana passada eles almoçaram separados, no mesmo restaurante. O pai não a viu, apesar de estar de frente para as costas dela. Se aperceberam somente na saída. Vida estranha.

Voltando: saudade, abraço. Continuaram a curta caminhada para o restaurante. Chegaram. Bonito lá. 

13:10

Se serviu e foi para fora. Mesa de madeira numa espécie de jardim. Haviam duas: uma vazia, na outra dois homens. Moços. Na mesa deles, somente dois copos vazios. Olharam não tão discretamente. Perfurou de volta, pensando nas sacanagens que ouvia nas ruas. Não era o caso. Sentou-se e pôs-se a esperar o pai. 

Os companheiros ao lado falavam audivelmente. Um deles ainda olhava de lado. Encarou. Ouviu.

- ... Quer dizer, qual é o sentido, cara? Eu vivo me perguntando isso.

- Acho que o negócio é ser feliz. Ela é sua esposa, vocês se parecem de algum jeito. 

Curiosidade acendeu. Interesse despertado. Quem eram? O mais jovem ainda analisava pelo canto do olho, como se a estivesse medindo.

O pai chegou. Sorrisos, almoço agradável.

13:30

Os rapazes da mesa ao lado continuavam conversando. Fim do almoço. Gelatina de sobremesa. Se levantaram para ir embora. Olhou uma última vez, ainda curiosa. Vida estranha. Mas foi embora.

Na semana seguinte questionariam sua indignação perante a sujeira do mundo. Ficaria triste. 
As coisas tristes ainda estavam começando. 

22.10.13

Colorido preto e branco

O tempo está passando como num filme

Ei,
me peguei pensando em você.
Olhando você
Querendo você
Falando de você

O vento, preto e branco, roça os nossos cabelos
E sussurra nos nossos ouvidos.
Estou toda de preto, e acho suas cores bonitas

Te pergunto:
me quer pra você? É que às vezes não quero ser eu
Quero ser outra
E sei que há um pouco de você em mim, mas não tenho pressa

Pelos meus olhos não tão verdes tenho enxergado danças
Me vejo vendo e me vejo me entregando
Tenho um segredo: num tempo próximo,
não vou mais pensar em nada.

Enquanto isso vou assistindo esse filme colorido preto e branco


26.9.13

Quero estar noutro lugar

Me leve.
Leve-me,
Agora

Se não levar-me
Gritarei
Mas gritarei tão alto
Que ninguém no mundo aguentará
Então, todos com as mãos nos ouvidos
Vão me olhar
E, por um instante, sentir
Sentir a dor e o desejo

Somente agora que me escutou,
Poderá entender
A exasperação do meu pedido

Mas, por favor,
antes disso...
Me leve.

(Peço por favor
Se alguém de longe me escutar
Que venha aqui pra me buscar

Se o pensamento duvidar
Todos os meus poros vão dizer
Estou pronto

Vem me levar
Para um lugar
Longe daqui

A imensidão vai me abraçar)

E sabe por quê? Porque não sou daqui.

22.9.13

Vou compor mais uma pra você

(Preciso transfundir teu sangue pro meu coração, que é tão vagabundo)

Eu quero mais um beijo teu,
Que me arda do começo ao fim
Porque nos raios da tua retina
Vou me queimar

Nesse breu
Eu quero me despir de tudo
Entrar noutro mundo
Eu quero rodar no vento
Que se formou do sujo
Te arrancar as roupas que apertam a vontade

Nesses sussurros
Sinta a minha mão na sua
Estou te puxando enquanto derreto
Enquanto escorre pelo ralo os absurdos da minha mente
Passei os últimos dois dias arrancando sangue das minhas veias
Sangue vermelho e com cheiro de ferro, como o seu

ESCUTA
Te espero do outro lado do horizonte,
Onde tem dança e gente boa
E meus pés descalços se esfregam na terra que não é acimentada
Enquanto isso
Vou compor mais uma pra você.

(Me deixe hipnotizado prá acabar de vez com essa disritmia)

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