10.12.14

O Muro de Berlim não caiu por si

A angústia que me bate à porta veio de outro paralelo
Chacolha o meu e os nossos corpos,
Eriça o medo dos inocentes
Inocentes?

Tenta tirar o que Deus me deu
Me deu a contragosto porque não me aprecia
Nem a ti
Ninguém sai impune do reino da Terra

Fronte uma vastidão de elos perdidos,
Vou me perder também
Já não há o que reste aqui
O furdunço se aquietou pra fugir do açoite

Aquele cinza pálido e traiçoeiro, sabe aquele?
Há tempos deixou de ser convidativo
Cobre majestosa e impiedosamente os tijolos da extensa parede
Que nos barra e separa

Estamos no aguardo da queda,
Enquanto não me apercebo
De que não há indícios que o meu e nossos muros
Jamais cairão

Sem indícios, vai a esperança
Sem esperança, fica o nada
Se for pra viver barrada
Por que insisto aqui?

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