devora-me!
olha-me como se eu fosse uma cor que não existe e que você viu num sonho
toca-me como à chama que não te queima o dedo
prova-me como ao sabor da sua vida passada
devora-me
devora-me como se eu fosse a última refeição da sua vida!
lamba-me como ao sal antes da tequila
percorra-me como à longínqua estrada que te levará ao paraíso
engula-me como ao remédio que curará todas as suas doenças
devora-me
devora-me como se eu fosse o universo que nunca coube em você!
agarra-me como à estrela que você sempre tentou alcançar
mata-me como aos fantasmas que você nunca conseguiu materializar
devora-me
devora-me como se eu fosse a vítima da esfinge
devora-me ou decifro-te.
Creio que foi a Édipo que a esfinge de Hera fez o enigma: "O que durante a manhã anda em quatro pernas, à tarde duas e à noite três?" e, assim como todos os enigmas propostos por ela, terminou a pergunta com: "Decifra-me ou devoro-te". Já que Édipo respondeu corretamente, a esfinge foi embora e por esse feito o rapaz tornou-se o rei de Tebas, casando-se com a rainha viuva, sua própria mãe. A dramaturgia grega era deveras intrigante, não?
ResponderExcluirAss.: Não Anônimo.