19.2.20

Foi assim que eu entendi "esperança"

Todas as noites, antes de dormir, eu me faço a mesma pergunta: como eu posso te dizer tudo o que tenho pra dizer? Então, todos os dias, quando eu acordo, vasculho meus sonhos em busca da resposta; como eu posso te dizer tudo o que tenho pra dizer? Se quando você me pergunta, eu perco o fôlego. A boca seca, a fala hesita, e só os olhos não se desviam (são mais fortes do que o resto de mim). E foi numa tarde qualquer, dessas em que eu corro a minha mão pelas suas costas até o sol ruborizar, que eu encontrei a resposta. Meu dedos formaram letras na sua pele, letras que formaram palavras, e pela primeira vez eu te disse tudo o que eu tenho pra dizer. Agora, todas os dias e tardes e noites, paciente, mas de pulso acelerado, eu anseio pelo momento em que você vai compreender uma língua que nem conhece ainda.

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