1.8.13

Semana passada

Flashes de cor e som me invadem a consciência
E a cada piscar de olhos
Te vejo rindo e falando...
Vejo vocês.

No escuro, antes de adormecer,
Enxergo uma vez mais aqueles momentos
Mas, longe de mim,
Eles vão se perdendo.

Tão poderoso é o esquecimento
E no medo de não lembrar,
Luto contra o tempo. Contra a rotina que agora me oprime.

E, por fim, enquanto o sangue quente correr,
Viajar e provar do mundo, menino
É sempre o que eu vou querer.

14.7.13

Dama da noite

De pétalas brancas eu te cobri,
dama da noite
Pétalas quase tão brancas quanto você

Nos seus lábios vermelhos eu me perdi,
dama da noite
Antes de perder você

No verde dos seus olhos eu mergulhei
E na mais amarga escuridão você me deixou

Dama da noite,
Sua imagem se desfez em pó

Mas enquanto escuto o rock pesado,
Trilha sonora dos nossos desejos,
Quase sinto o calor da sua pele na minha de novo

Agora, minha dama, quero morrer
Morrer de overdose do cheiro de flor
Que você deixou nas minhas roupas.

25.5.13

Reflexo de uma memória

Ontem a noite estava tão fria, ontem o mundo ficou tão quieto
Por que será que eu sempre
Te quis tanto?

Exalando esse seu hálito agridoce
Te vi dar dez passos em frente
E ninguém mais parou de sofrer.

Respirações ofegantes ansiavam,
Te vi dar dez passos de volta
Desisti de morrer.

Mas você acabou indo pra tão longe
Acabou indo porque não pertence
(ainda bem) À lugar nenhum.

O ar gelado e parado que ficou
Me açoitou os desejos.

Um último pedido:
Me diz
Quem é você?

28.2.13

Fevereiro de paixão

"Eu não sou romântica" ela pensava. Mas enquanto ele se aproximava naquela chuvinha fina, no fim de uma tarde monótona de terça-feira, não havia como deixar de pensar o quanto aquilo parecia um filme. Assim que ele chegou, ela perfurou-o com um olhar inteligente.
- É verdade?
- É. Já faz bastante tempo que é.
Ele olhou em volta pra rua vazia, sem demonstrar nervosismo. A chuva já estava ficando mais forte, e os carros passavam espirrando água nas calçadas.
- E por que só agora?
- Por medo. Você sabe, acontece com os melhores.
Ela sentia vontade de chorar. Era tarde demais.
- Medo... Você já sabe que não dá mais tempo. E agora?
Ele também parecia triste, mas ainda tinha uma certa esperança lá no fundo.
- Agora você me diz o que sente. Nunca é tarde demais.
Ela soltou um muxoxo.
- Nunca é tarde demais pra mudar de ideia. Mas eu não quero mudar de ideia. O que eu sinto?
Ela entrelaçou suas mãos com as dele e se aproximou devagar. A chuva já caia em gostas pesadas quando eles se beijaram intensa e longamente. Ele sorriu, mas era um sorriso triste. Por que ela tinha que ser tão dura?
- O que eu sinto agora não chega perto do que eu sentia antes. E eu não quero voltar atrás. Sem drama, ok? Quem sabe numa outra vez.
Um aceno, e aqueles minutos viraram mais uma história.

31.1.13

Gotas

Deitada nessa chuva pensando em você
A água insiste e quase toca aquilo que deve permanecer isolado.
Mas eu imagino e o mundo gira,
na palma da minha mão e o mundo gira.
Os olhos voltam pro lugar e vejo duas pupilas dilatadas.
Quem é você?

Palavras mudas te vazam pelo olhar - meu coração dispara.
Girando o mundo, na palma da minha mão,
e o mundo segue girando.
Ninguém para pra olhar.
Num fluxo contínuo, as pessoas refletem a transparência do universo.
Ninguém para pra olhar.
Mas eu estou ali! Sentindo tanto. Sentindo muito.
Me jogo no chão -
vergonhas nuas e gritantes escapam contra a vontade,
e eu penso: quero ver as suas.

A chuva ainda não parou e gotas solitárias escorrem pelo meu cabelo.
Gotas de paixão fervente, solidão angustiada,
belezas sinceras e amor desconhecido. Gotas de chuva fria.
Gotas de mim.
Mas e você, quem é?

1.12.12

Por que me render ao mundo?

Quando ainda tenho tanto para dar.
Não toco os padrões -
enxergo-os.
Posso me render ao mundo,
entrar no frenesi humano,
Os batimentos instáveis, intensos e entorpecidos.
Todas as maravilhas,
entre o nojo profundo e desesperado.
E se me render ao mundo,
à paredes tão concretas,
na pressão infinita,
entre sonhos volúveis,
cheios de dúvidas do mais íntimo,
no tráfego de mentes - sem paradas ou freios, até a morte.

Ainda seria eu?

27.9.12

Fogo que arde e se vê.

     O vento uivava na janela, a luz oscilava, a goteira produzia ruídos alternados e incômodos, enquanto a chaleira apitava no fogão. Toda a instabilidade da cena era embalsada por chamas raras. Um fogo ardente, terrivelmente poderoso, que urrava como o vento e se espalhava com a força dos mares, começou a percorrer cada veia dela.
     E aquele fogo tomava conta de cada poro de seu corpo, e suas vontades já não eram suas, nem sua mente equilibrada como de costume. O outro também exalava chamas, e, de coração acelerado e pensamentos confusos, tentava avaliar a situação, mas já não possuía a sensatez habitual.
     Talvez fosse instinto, talvez tudo. Alguns gritariam: "É o amor, com a força do universo pronta para derrubar qualquer barreira e sacudir as molduras do infinito. É amor!". Mas o que realmente se apossava de seus corpos era impossível de se imaginar, retratar, ou sequer de se pensar! O que reinava de fato era apenas a sensação, falsa e momentânea, porém eterna e muito mais que apenas real.
      E então, à beira da loucura, o calor subiu aos olhos, e ambos se encontraram. Era vivo. Era vivo e era visível!  Como a intensidade de tudo, do comum ao completo desconhecido, estivesse ali, por trás de seus olhos, presa, estática, duradoura, arrebatadora, e inacreditavelmente visível. Eram chamas descontroladas em sua repressão. 
      Conceitos, regras, metáforas ou lindos versos, crenças e opiniões, pensamentos profundos e análises complexas, ou a simplicidade leve e bela, nada, nada mais se fazia necessário ou presente. Bastava um olhar. Um olhar apurado, aberto e preparado. Não só preparado, mas completamente pronto para ter coragem de admitir aquilo que escapa aos limites mentais e corpóreos de um ser humano, guiado pelos valores e pelas experiências de toda uma vida. Um olhar, e tudo se fazia resto. Porque era visível.
         Era visível, e era imenso.

29.7.12

Match Point



Posso contar nos dedos os filmes que mexem comigo a ponto de eu escrever sobre eles. Excluindo aqueles que são obras de arte, que podem até mudar sua vida - falo dos que realmente te desestabilizam.
Pois então, Match Point, esse me deixou particularmente abalada. Pode-se dizer ser apenas mais um bom filme do Woody Allen sobre a vida, muito bem, obrigada. Mas as cenas, a construção, os diálogos, a sequência dos acontecimentos, tudo empurra para uma tensão crescente e, claro, deliciosa. Simplesmente uma realidade qualquer - terrível, terrível.

Talvez apenas para concluir de um jeito menos desinteressante, aqui vai uma pequena (e obviamente incompleta) lista de filmes que todos deveriam assistir, mais cedo ou mais tarde:
Amelie Poulain; O Silêncio dos Inocentes; Vicky Cristina Barcelona; De Olhos Bem Fechados; Cisne Negro; Dogville; Millennium, Mar Adentro*; Beleza Americana; Os Intocáveis; Perfume; A Outra; Django; Precisamos falar sobre Kevin; O Iluminado; Abraços partidos; Elena.

*esse me levou a escrever quase que uma dissertação aqui no blog há algum tempo, o filme gira em torno da polêmica clássica - eutanásia.

São apenas os que eu me lembro agora, e não digo que são todos perfeita e absolutamente ótimos, mas com certeza, de um jeito ou de outro, valem a pena.

E ah, Match Point.

25.6.12

O tempo não para.

Dias sim, dias não,
eu vou vivendo a vida nessa solidão. Eu não tenho data pra comemorar, minhas idéias não correspondem aos fatos. Eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo o presente ir sem ser notado.

Quinze anos e agora sou menina moça. Moça de sonhos, moça de luz. Alegre, moça bonita, sorriso gostoso, olhos claros e escuros.
Mentira! Menina inocente, menina vítima. Triste, feia, sorriso apagado, olhos claros e escuros.
Mentira! Agora sou eu!
Agora sou mais eu. Moça menina, menina moça, pequena e enorme, cheia e vazia. Brilho, giro, amor pra dar. Crescida, madura, esperta, bobinha. Que escreve, que guarda, que pede, que diz, que convence, que canta, grita, ouve, escuta, olha, entende, abraça, cativa, irrita, aborrece. Não para, não fica, vem e vai, leva e deixa. Ilude e fantasia, experimenta, mente, finge sim, finge não, chora, quer, descobre, aprende. 

Levo uma vida sossegada, gosto de sombra e água fresca. Quanto tempo nós passamos sem saber? Baby, baby, não adianta tentar. Quando alguém está perdido, procurando se encontrar! Procurando qualquer lugar.
Somos feitos de cor, somos feito de gritos! Mudanças constantes, situação permanente. Deixe que pensem, deixe pensar. Deixe que digam, que falem, fale também!

De cada quinze anos, de cada ano novo, levar o melhor. O paraíso pode esperar, estamos apenas olhando a vida! Olhando os céus. Todo dia pode ser ano novo, todo dia é ano novo pra alguém. E vai ser pra sempre. De cada estrela, roube o brilho, de cada momento, a sensação. Quem vive de passado é museu - e também é humano. Mas o horizonte nunca some.

Agora sou moça menina, feita de tudo que vivi até aqui. Nem foi tempo perdido... Ainda somos tão jovens! 

Total de visualizações de página