23.7.11

Viver é um direito, não uma obrigação.

Foi esta a frase que me fez refletir depois de ver “Mar adentro” noite passada. Concordo completamente com ela, por sinal, e apoio a eutanásia (tema da história) quando bem pensada. 

O filme, baseado numa história real, me chamou atenção por três coisas:
1º Todos os atores e atrizes eram absolutamente perfeitos. Literalmente todos ótimos, com destaque para os principais. E, cá entre nós, isso é bem difícil de acontecer.
2º O filme em si. Quando eu digo isso, quero dizer o tema do filme, a abordagem, e acima de tudo, o jeito como ficou claro o perfil de cada personagem.

3º O fato de uma parte do filme não ficar explícita. Não quero dar spoiler caso alguém resolva assistir, então fica difícil explicar. Mas no final você pode ter opiniões diferentes sobre o que pode ter acontecido em uma parte específica, o que eu acho super interessante. Vou parar por aí, pra não confundir ninguém.

Além disso, me fez perceber que é possível fazer uma afirmação sobre amar que pode ser aplicada a todos os casos: amar é querer a felicidade (ou o bem, chame como quiser) do outro. Não digo que amor se resume a isso. E também é claro que não devemos desgraçar certas coisas se disso depender a felicidade da pessoa amada. Nem para esquecermos o próprio bem pelo outro, o que é o erro de muita gente.

Mas a questão é que quem ama de verdade não é egoísta. Vou usar o exemplo do filme, para simplificar. A história é sobre um cara que é tetraplégico há vinte e seis anos e quer morrer. Não é nada dramático, ele está em perfeito estado com suas faculdades mentais, e tem um ótimo bom senso. Não encara a morte com esse medo típico de praticamente todo mundo, e a decisão não é nada precipitada. Ele simplesmente considera a vida desse modo indigna, e quer deixar de viver. O problema é exatamente sua condição física: não tem como cometer suicídio quando você é tetraplégico. Quer dizer, você depende totalmente das outras pessoas. E aí que entra o dilema: as pessoas que o amam deveriam ajudá-lo a morrer? Bom, o final da história só vendo mesmo. Mas o ponto é que se você realmente ama a pessoa, ajudaria ela a ser feliz, mesmo que isso te fizesse sofrer, ou fosse contra os seus princípios? É fácil falar que sim quando não é com a gente.

Eu, por exemplo. Se fosse a minha mãe a tetraplégica que quer deixar de viver, cortaria meu coração, mas eu respeitaria a decisão dela. Respeitar não significa que eu teria a coragem para ajudar. Acontece que é egoísmo demais não querer que o outro morra (ainda com o exemplo do filme) apenas para você não sofrer com a perda, e, em troca, a pessoa amada ser obrigada a viver, quando isso é exatamente o que a faz tão mal. Para mim, o amor profundo e verdadeiro não deixaria isso acontecer. Complicado, né?

De qualquer forma, achei que merecia um post porque me fez pensar bastante, e, como esse blog não tem regra mesmo, sem problemas. Pra quem se interessou, o filme chama (como dito anteriormente) “Mar adentro”, de Alejandro Amenábar, vencedor do oscar (2005) e globo de ouro por melhor filme estrangeiro, indicado ao oscar por melhor maquiagem, indicado ao globo de ouro e vencedor do festival de Veneza por melhor ator. Espanhol. Com Javier Bardem, Belén Rueda e Lola Dueñas. Fiquem com o link do trailer, e até a próxima!

http://www.youtube.com/watch?v=PxXb_YZ-CQI&playnext=1&list=PL95E4A400D0FF5462
       

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