abri essa página e percebi que, pela primeira vez em um bom tempo, estava em vias de deixar passar dois meses inteiros sem estar aqui.
e é pelo desejo de que isso não aconteça que escrevo; mas escrever o quê? é foda quando a garganta tá muda.
ontem eu me vi tão desamparada que fui conversar com a sua irmã [na falta da minha, que está internada. mais uma vez. de novo. e no meu terror minimalista eu aguardo o desenrolar do ciclo. mas isso já é outro post, né?] fui conversar com a sua irmã pra sentir que ainda existe uma ligação, mesmo que podada, mesmo que machucada. tão machucada.
chegou a minha vez, afinal, de estar machucada. e de pedir socorro. mas a quem? você não está. você faz questão de não estar.
minha criança tem tido tantas perguntas bobas e amedrontadas pro mundo. eu tenho me sentido sozinha num tanto que me dá medo. fazia tempo.
queria dizer que vou tentar voltar pra cá, que vou tentar voltar pra mim, mas é mentira.
eu precisaria de uma mão pra me puxar daqui. uma mão, um braço, talvez um corpo inteiro. mas tudo em volta de mim é silêncio e nem o meu próprio corpo existe mais. tudo é fragmento. tudo é alucinação. tudo é a breve ilusão daquela ligação que mantinha a minha fé na vida viva. mantinha. no pretérito.
e nessa nova realidade, você tá sumindo. involuntariamente, te acompanho. sinto que qualquer dia desses eu vou evaporar e virar nuvem. tomara. e tomara que lá em cima haja paz.
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