A angústia que me bate à porta veio de outro paralelo
Chacolha o meu e os nossos corpos,
Eriça o medo dos inocentes
Inocentes?
Tenta tirar o que Deus me deu
Me deu a contragosto porque não me aprecia
Nem a ti
Ninguém sai impune do reino da Terra
Fronte uma vastidão de elos perdidos,
Vou me perder também
Já não há o que reste aqui
O furdunço se aquietou pra fugir do açoite
Aquele cinza pálido e traiçoeiro, sabe aquele?
Há tempos deixou de ser convidativo
Cobre majestosa e impiedosamente os tijolos da extensa parede
Que nos barra e separa
Estamos no aguardo da queda,
Enquanto não me apercebo
De que não há indícios que o meu e nossos muros
Jamais cairão
Sem indícios, vai a esperança
Sem esperança, fica o nada
Se for pra viver barrada
Por que insisto aqui?
ou erva-doce. a sua fruta, em forma de semente, tem um sabor aromático forte e um odor poderoso. a semente de anis é usada como ajudante digestivo. todas as partes que ficam acima do solo de uma planta jovem de anis também são comidas. os caules são mais suaves no sabor do que os frutos.
10.12.14
24.10.14
Quando foi que
Na sua lápide, gravaram Schopenhauer
Se engana quem o julga descansado
Na realidade, ele agoniza no pós-túmulo
Quer tomar o tempo de uma expiração alheia para si
Precisa que alguém lhe conceda esse tempo, pois tem feito falta
Quando foi que perdera os minutos?
Na última tarde parara para observar um motoqueiro se despedir do namorado
Era um rapaz, assim como ele próprio
Como poderia que fosse algo a mais?
Homem soava excessivamente pesado
Existe muito de pesado no mundo
Hoje de manhã caminhava sem saber que
Sem saber se encaminhava, na verdade - e lentamente -, para sua morte prematura
Desfecho certeiro para uma existência também emancipada
Talvez pudesse ter sido um prodígio
Mas não fora
Não sabia. Como saberia? Ninguém sabia
E já era tarde
Se engana quem o julga descansado
Na realidade, ele agoniza no pós-túmulo
Quer tomar o tempo de uma expiração alheia para si
Precisa que alguém lhe conceda esse tempo, pois tem feito falta
Quando foi que perdera os minutos?
Na última tarde parara para observar um motoqueiro se despedir do namorado
Era um rapaz, assim como ele próprio
Como poderia que fosse algo a mais?
Homem soava excessivamente pesado
Existe muito de pesado no mundo
Hoje de manhã caminhava sem saber que
Sem saber se encaminhava, na verdade - e lentamente -, para sua morte prematura
Desfecho certeiro para uma existência também emancipada
Talvez pudesse ter sido um prodígio
Mas não fora
Não sabia. Como saberia? Ninguém sabia
E já era tarde
19.10.14
Absinto
Noite gostosa, Santa Catarina
Que fez rodar e não querer voltar
Um mar que pedia ainda mais silêncio
Pra se fazer ouvido
Pois tinha o som lindo da paz derradeira
Semana boa, Santa Catarina
Que quis tanto que não voltássemos mais
Deixou o prelúdio da saudades do depois do fim
Dos amigos que já foram e estão por ir, que a vida esquece
A despeito daquela mania cigana de partir
Que não canso de levar comigo
Peço que continuem imaculadas as lembranças
E que se juntem aquelas outras
Perdidas no coral extenso e colorido do sobreviver
Talvez um dia eu te conte que te conhecer
Me deu vontade de voltar a viver como eu vivia
Enquanto isso, descansa, Florianópolis
Descansa que a tua semana decanta
Que fez rodar e não querer voltar
Um mar que pedia ainda mais silêncio
Pra se fazer ouvido
Pois tinha o som lindo da paz derradeira
Semana boa, Santa Catarina
Que quis tanto que não voltássemos mais
Deixou o prelúdio da saudades do depois do fim
Dos amigos que já foram e estão por ir, que a vida esquece
A despeito daquela mania cigana de partir
Que não canso de levar comigo
Peço que continuem imaculadas as lembranças
E que se juntem aquelas outras
Perdidas no coral extenso e colorido do sobreviver
Talvez um dia eu te conte que te conhecer
Me deu vontade de voltar a viver como eu vivia
Enquanto isso, descansa, Florianópolis
Descansa que a tua semana decanta
18.9.14
Morra na filosofia
Pra que rimar amor e dor? Ao invés de ver o sol se pôr
Vamos parar, meu caro
Enquanto inda é tempo
Mas proteja sua mente da deterioração humana, tão puritana
Não tema ser fraco, porque assim já seria
Morra na filosofia,
Que é meu berço, meu leito, meu mar
Meu discurso final
Nossa maior desgraça, minha melhor delícia.
Vamos parar, meu caro
Enquanto inda é tempo
Mas proteja sua mente da deterioração humana, tão puritana
Não tema ser fraco, porque assim já seria
Morra na filosofia,
Que é meu berço, meu leito, meu mar
Meu discurso final
Nossa maior desgraça, minha melhor delícia.
12.9.14
Pra lá não há
você não me espera, eu sei, eu sei que você não me espera
do outro lado desse turbilhão do florescer
não há ninguém no após, sei que estou sozinha no restart
e que talvez nunca venha alguém
mas por que, se eu quis tanto
e mastiguei as minhas ferrugens, e mudei a cor da minha retina
e engoli o resto com ácido
num gesto rápido
escasso
por que, se eu amei tanto, sem nunca ter aprendido como
e eu morri, e voltei zumbi
pra me dar, de novo, a essa estranheza
tão comum à mocidade
no fim, tá tudo o mesmo e não há ser vivo do outro lado
e eu sei - eu já sabia
e talvez goste
assim.
do outro lado desse turbilhão do florescer
não há ninguém no após, sei que estou sozinha no restart
e que talvez nunca venha alguém
mas por que, se eu quis tanto
e mastiguei as minhas ferrugens, e mudei a cor da minha retina
e engoli o resto com ácido
num gesto rápido
escasso
por que, se eu amei tanto, sem nunca ter aprendido como
e eu morri, e voltei zumbi
pra me dar, de novo, a essa estranheza
tão comum à mocidade
no fim, tá tudo o mesmo e não há ser vivo do outro lado
e eu sei - eu já sabia
e talvez goste
assim.
28.8.14
Já tarda
Hoje foi, mas depois
Não vem mais
Não cedo, rapaz
Preciso de paz
Eu não cedo de novo
Tão cedo; jamais.
25.7.14
Monstros
Tudo ao redor pega fogo, incendeia
Toco o meu corpo e desfaço em areia
Eles estão à espreita, com garras e dentes
Vão destruir o que houver pela frente
Reunidos, sádicos, na última ceia
De prato principal aquela triste sereia
Que costumava cantar, num choro que mente
E diz que consegue lidar com o que sente
Mas vê-se que é tarde, e já se semeia
Aquilo que ninguém no mundo nomeia
Ao longe e tão perto, o abismo estridente
Reino da chama, do falso e não quente
Toco o meu corpo e desfaço em areia
Eles estão à espreita, com garras e dentes
Vão destruir o que houver pela frente
Reunidos, sádicos, na última ceia
De prato principal aquela triste sereia
Que costumava cantar, num choro que mente
E diz que consegue lidar com o que sente
Mas vê-se que é tarde, e já se semeia
Aquilo que ninguém no mundo nomeia
Ao longe e tão perto, o abismo estridente
Reino da chama, do falso e não quente
11.6.14
Canto de alerta
Sou dotada de loucura sem igual
E, por isso, cheia de receios
Meu tormento é quase musical
Meus fins não justificam os meios
Me esqueça enquanto é tempo
Porque aqui não é o seu lugar
Disseram que sou a pior das mulheres
Por quem você pode se apaixonar
Olhe bem por onde vai entrando
Não se esqueça de se apressar
Pois você vai se ver sangrando
E será incapaz de voltar
Não quero te fazer mal
Mas tenho a forte sensação
De que faço lavagem cerebral
Em quem me entrega o coração
Finalmente, cansei de me preocupar
Dar falsa voz a tantos anseios
Antes que alguém possa nos matar
Mergulhemos em nossos desejos
Se o mundo me fez assim
Quem sou eu pra resistir?
Se a tristeza já não tem fim
Fui feita para existir
E, por isso, cheia de receios
Meu tormento é quase musical
Meus fins não justificam os meios
Me esqueça enquanto é tempo
Porque aqui não é o seu lugar
Disseram que sou a pior das mulheres
Por quem você pode se apaixonar
Olhe bem por onde vai entrando
Não se esqueça de se apressar
Pois você vai se ver sangrando
E será incapaz de voltar
Não quero te fazer mal
Mas tenho a forte sensação
De que faço lavagem cerebral
Em quem me entrega o coração
Finalmente, cansei de me preocupar
Dar falsa voz a tantos anseios
Antes que alguém possa nos matar
Mergulhemos em nossos desejos
Se o mundo me fez assim
Quem sou eu pra resistir?
Se a tristeza já não tem fim
Fui feita para existir
16.5.14
de um tempo atrás
to delirando
e você, nesse agora desse momento, talvez fosse o único que eu acolheria ao meu delírio
deslizo minhas mãos sobre meus ombros
não entendo da vida O mundo me deixa tonta
enquanto outras mãos empurram os mesmos ombros
atravesso ruas lotadas de carros e luzes
embriagada, no auge da minha mais insana lucidez
mordo meus lábios até sangrar
de novo, aquelas imagens passam pelos meus olhos fechados
quem me vê de fora, não vê nada
cabelos bagunçados, sensações aguçadas, num frenesi desconhecido e temeroso
o que está acontecendo?
Tão longe do que secretamente busco alcançar Algo que esqueci de dizer a mim mesma
ouço dedos estralando Pescoços girando, meios sorrisos Escuro
quero roubar esse escuro
me jogo contra parede Escorregando devagar e agora arregalo os olhos
sinto falta da arte Meus poros gritam, sem voz, que preciso mergulhar antes que me afogue no ar humano
não sou desse mundo, mas posso me encontrar aqui Naqueles com quem posso dividir a paixão
os Loucos
e você, nesse agora desse momento, talvez fosse o único que eu acolheria ao meu delírio
deslizo minhas mãos sobre meus ombros
não entendo da vida O mundo me deixa tonta
enquanto outras mãos empurram os mesmos ombros
atravesso ruas lotadas de carros e luzes
embriagada, no auge da minha mais insana lucidez
mordo meus lábios até sangrar
de novo, aquelas imagens passam pelos meus olhos fechados
quem me vê de fora, não vê nada
cabelos bagunçados, sensações aguçadas, num frenesi desconhecido e temeroso
o que está acontecendo?
Tão longe do que secretamente busco alcançar Algo que esqueci de dizer a mim mesma
ouço dedos estralando Pescoços girando, meios sorrisos Escuro
quero roubar esse escuro
me jogo contra parede Escorregando devagar e agora arregalo os olhos
sinto falta da arte Meus poros gritam, sem voz, que preciso mergulhar antes que me afogue no ar humano
não sou desse mundo, mas posso me encontrar aqui Naqueles com quem posso dividir a paixão
os Loucos
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