18.8.13

Ampulheta

Você me aperta contra seu peito e eu sinto o vazio um pouco menor
Me pergunto algumas daquelas mil perguntas
Tenho medo de abrir meus olhos, quero continuar quieta nos teus braços
A verdade é que eu não quero enfrentar o mundo lá fora
Só não agora

Estou sentindo aquela velha melancolia, e hoje não há quem minta que vai passar

As pessoas me diziam que não se pode desistir da vida, porque ela sempre vale a pena
Que o tempo cura todas as feridas
Mas o incômodo que eu sinto no fundo do peito diz o contrário

Minha maquiagem borrada, meus olhos que eu queria verdes
Tudo o que eu precisava era continuar encolhida
Me entorpecer nessa anestesia efêmera


Estou te esperando
Estou esperando você chegar e me puxar pela mão
Seguir seus passos escuros por um mundo com ar novo
Talvez não seja digna dos meus sonhos
Mas quero olhar no fundo do olhar de alguém e entender por que estamos aqui



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