22.10.13

Colorido preto e branco

O tempo está passando como num filme

Ei,
me peguei pensando em você.
Olhando você
Querendo você
Falando de você

O vento, preto e branco, roça os nossos cabelos
E sussurra nos nossos ouvidos.
Estou toda de preto, e acho suas cores bonitas

Te pergunto:
me quer pra você? É que às vezes não quero ser eu
Quero ser outra
E sei que há um pouco de você em mim, mas não tenho pressa

Pelos meus olhos não tão verdes tenho enxergado danças
Me vejo vendo e me vejo me entregando
Tenho um segredo: num tempo próximo,
não vou mais pensar em nada.

Enquanto isso vou assistindo esse filme colorido preto e branco


26.9.13

Quero estar noutro lugar

Me leve.
Leve-me,
Agora

Se não levar-me
Gritarei
Mas gritarei tão alto
Que ninguém no mundo aguentará
Então, todos com as mãos nos ouvidos
Vão me olhar
E, por um instante, sentir
Sentir a dor e o desejo

Somente agora que me escutou,
Poderá entender
A exasperação do meu pedido

Mas, por favor,
antes disso...
Me leve.

(Peço por favor
Se alguém de longe me escutar
Que venha aqui pra me buscar

Se o pensamento duvidar
Todos os meus poros vão dizer
Estou pronto

Vem me levar
Para um lugar
Longe daqui

A imensidão vai me abraçar)

E sabe por quê? Porque não sou daqui.

22.9.13

Vou compor mais uma pra você

(Preciso transfundir teu sangue pro meu coração, que é tão vagabundo)

Eu quero mais um beijo teu,
Que me arda do começo ao fim
Porque nos raios da tua retina
Vou me queimar

Nesse breu
Eu quero me despir de tudo
Entrar noutro mundo
Eu quero rodar no vento
Que se formou do sujo
Te arrancar as roupas que apertam a vontade

Nesses sussurros
Sinta a minha mão na sua
Estou te puxando enquanto derreto
Enquanto escorre pelo ralo os absurdos da minha mente
Passei os últimos dois dias arrancando sangue das minhas veias
Sangue vermelho e com cheiro de ferro, como o seu

ESCUTA
Te espero do outro lado do horizonte,
Onde tem dança e gente boa
E meus pés descalços se esfregam na terra que não é acimentada
Enquanto isso
Vou compor mais uma pra você.

(Me deixe hipnotizado prá acabar de vez com essa disritmia)

16.9.13

Vem, vamos morrer antes dos nossos pais

Te gosto tanto garoto, te gosto muito
Você toca aquele piano e eu percebo que te admiro 
Me manda coisas bonitas, e eu me perco nas suas palavras
Dou risada, faço graça, faço charme 

Vejo o seu olhar, escuto o que você não diz
E às vezes penso que realmente te entendo
Há coisas que palavras não dizem
Mas a gente sabe.

E me alegra saber
Que você com certeza vai ser
Alguém que eu vou levar pra sempre.


3.9.13

O amanhã não existe

Can you feel me?

Ando pelas calçadas molhadas e sujas: aqui e ali as pessoas me encaram
Eu as perfuro de volta, com um olhar que pede e que briga
Ninguém realmente se importa - nem mesmo eu

Você não pode jurar que nunca me fará chorar
Lágrimas, chuva e saliva na minha boca
Hoje o gosto é o mesmo

Finalmente virei a esquina. De súbito paro, assustada. 
Pra onde estou indo?
Você me deixou aqui assim, e não vejo outros ou outras em volta

Estou gritando que você não pode jurar que nunca me fará chorar
Aquilo em que eu acreditava era falso
E agora tropeço comicamente pelos caminhos molhados dessa chuva lamacenta

A verdade é que somos jovens e somos nada
O vento velho arde nos novos olhos
E o amanhã nunca existiu.

18.8.13

Ampulheta

Você me aperta contra seu peito e eu sinto o vazio um pouco menor
Me pergunto algumas daquelas mil perguntas
Tenho medo de abrir meus olhos, quero continuar quieta nos teus braços
A verdade é que eu não quero enfrentar o mundo lá fora
Só não agora

Estou sentindo aquela velha melancolia, e hoje não há quem minta que vai passar

As pessoas me diziam que não se pode desistir da vida, porque ela sempre vale a pena
Que o tempo cura todas as feridas
Mas o incômodo que eu sinto no fundo do peito diz o contrário

Minha maquiagem borrada, meus olhos que eu queria verdes
Tudo o que eu precisava era continuar encolhida
Me entorpecer nessa anestesia efêmera


Estou te esperando
Estou esperando você chegar e me puxar pela mão
Seguir seus passos escuros por um mundo com ar novo
Talvez não seja digna dos meus sonhos
Mas quero olhar no fundo do olhar de alguém e entender por que estamos aqui



7.8.13

Num escuro qualquer

Escuto sua respiração perto de mim
Você anda tão calmo...
Mas meu sangue está fervendo! 

No escuro eu observo, fissurada, seus olhos caramelo
No mesmo escuro, eu toco seus lábios chocolate:
Quero novos sabores seus.

Mas se estamos a dois centímetros um do outro, 
Por que sinto como se fossem metros infinitos?
E por favor, não me toque com esses dedos frios,
Meu corpo está escorrendo calor.

Penso sozinha:
Socorro, socorro. Socorro.
E, por fim, sussurro -
Qual a porra do sentido da vida?

1.8.13

Semana passada

Flashes de cor e som me invadem a consciência
E a cada piscar de olhos
Te vejo rindo e falando...
Vejo vocês.

No escuro, antes de adormecer,
Enxergo uma vez mais aqueles momentos
Mas, longe de mim,
Eles vão se perdendo.

Tão poderoso é o esquecimento
E no medo de não lembrar,
Luto contra o tempo. Contra a rotina que agora me oprime.

E, por fim, enquanto o sangue quente correr,
Viajar e provar do mundo, menino
É sempre o que eu vou querer.

14.7.13

Dama da noite

De pétalas brancas eu te cobri,
dama da noite
Pétalas quase tão brancas quanto você

Nos seus lábios vermelhos eu me perdi,
dama da noite
Antes de perder você

No verde dos seus olhos eu mergulhei
E na mais amarga escuridão você me deixou

Dama da noite,
Sua imagem se desfez em pó

Mas enquanto escuto o rock pesado,
Trilha sonora dos nossos desejos,
Quase sinto o calor da sua pele na minha de novo

Agora, minha dama, quero morrer
Morrer de overdose do cheiro de flor
Que você deixou nas minhas roupas.

Total de visualizações de página