Tudo ao redor pega fogo, incendeia
Toco o meu corpo e desfaço em areia
Eles estão à espreita, com garras e dentes
Vão destruir o que houver pela frente
Reunidos, sádicos, na última ceia
De prato principal aquela triste sereia
Que costumava cantar, num choro que mente
E diz que consegue lidar com o que sente
Mas vê-se que é tarde, e já se semeia
Aquilo que ninguém no mundo nomeia
Ao longe e tão perto, o abismo estridente
Reino da chama, do falso e não quente
ou erva-doce. a sua fruta, em forma de semente, tem um sabor aromático forte e um odor poderoso. a semente de anis é usada como ajudante digestivo. todas as partes que ficam acima do solo de uma planta jovem de anis também são comidas. os caules são mais suaves no sabor do que os frutos.
25.7.14
11.6.14
Canto de alerta
Sou dotada de loucura sem igual
E, por isso, cheia de receios
Meu tormento é quase musical
Meus fins não justificam os meios
Me esqueça enquanto é tempo
Porque aqui não é o seu lugar
Disseram que sou a pior das mulheres
Por quem você pode se apaixonar
Olhe bem por onde vai entrando
Não se esqueça de se apressar
Pois você vai se ver sangrando
E será incapaz de voltar
Não quero te fazer mal
Mas tenho a forte sensação
De que faço lavagem cerebral
Em quem me entrega o coração
Finalmente, cansei de me preocupar
Dar falsa voz a tantos anseios
Antes que alguém possa nos matar
Mergulhemos em nossos desejos
Se o mundo me fez assim
Quem sou eu pra resistir?
Se a tristeza já não tem fim
Fui feita para existir
E, por isso, cheia de receios
Meu tormento é quase musical
Meus fins não justificam os meios
Me esqueça enquanto é tempo
Porque aqui não é o seu lugar
Disseram que sou a pior das mulheres
Por quem você pode se apaixonar
Olhe bem por onde vai entrando
Não se esqueça de se apressar
Pois você vai se ver sangrando
E será incapaz de voltar
Não quero te fazer mal
Mas tenho a forte sensação
De que faço lavagem cerebral
Em quem me entrega o coração
Finalmente, cansei de me preocupar
Dar falsa voz a tantos anseios
Antes que alguém possa nos matar
Mergulhemos em nossos desejos
Se o mundo me fez assim
Quem sou eu pra resistir?
Se a tristeza já não tem fim
Fui feita para existir
16.5.14
de um tempo atrás
to delirando
e você, nesse agora desse momento, talvez fosse o único que eu acolheria ao meu delírio
deslizo minhas mãos sobre meus ombros
não entendo da vida O mundo me deixa tonta
enquanto outras mãos empurram os mesmos ombros
atravesso ruas lotadas de carros e luzes
embriagada, no auge da minha mais insana lucidez
mordo meus lábios até sangrar
de novo, aquelas imagens passam pelos meus olhos fechados
quem me vê de fora, não vê nada
cabelos bagunçados, sensações aguçadas, num frenesi desconhecido e temeroso
o que está acontecendo?
Tão longe do que secretamente busco alcançar Algo que esqueci de dizer a mim mesma
ouço dedos estralando Pescoços girando, meios sorrisos Escuro
quero roubar esse escuro
me jogo contra parede Escorregando devagar e agora arregalo os olhos
sinto falta da arte Meus poros gritam, sem voz, que preciso mergulhar antes que me afogue no ar humano
não sou desse mundo, mas posso me encontrar aqui Naqueles com quem posso dividir a paixão
os Loucos
e você, nesse agora desse momento, talvez fosse o único que eu acolheria ao meu delírio
deslizo minhas mãos sobre meus ombros
não entendo da vida O mundo me deixa tonta
enquanto outras mãos empurram os mesmos ombros
atravesso ruas lotadas de carros e luzes
embriagada, no auge da minha mais insana lucidez
mordo meus lábios até sangrar
de novo, aquelas imagens passam pelos meus olhos fechados
quem me vê de fora, não vê nada
cabelos bagunçados, sensações aguçadas, num frenesi desconhecido e temeroso
o que está acontecendo?
Tão longe do que secretamente busco alcançar Algo que esqueci de dizer a mim mesma
ouço dedos estralando Pescoços girando, meios sorrisos Escuro
quero roubar esse escuro
me jogo contra parede Escorregando devagar e agora arregalo os olhos
sinto falta da arte Meus poros gritam, sem voz, que preciso mergulhar antes que me afogue no ar humano
não sou desse mundo, mas posso me encontrar aqui Naqueles com quem posso dividir a paixão
os Loucos
6.4.14
3.3.14
O Delírio e a Morte
Era carnaval, mas Clemence se sentia só.
No dia anterior ela tirara dezenas de fotos com sua velha e gasta câmera. Da multidão, das fantasias, dos rebolados, da embreaguez, das bebidas, das luzes, da ressaca. Todas em P&B.
Após um tempo de análise do material que estava na câmera, a menina soltou um suspiro angustiado. Ingênua, ela pensara que seria bom dar uma olhada nas fotos recém tiradas.
Mas tudo estava saindo ao contrário: o preto e branco das fotos ria dela. Assim como as palavras de seus textos, os traços de seus desenhos, os acordes das suas músicas, o desafinado da sua cantoria, as falas das suas cenas.
Nas últimas semanas, tudo ria dela. Clemence recostou a testa nos joelhos, desolada. O que estava acontecendo? Logo sentiu os olhos quentes de lágrimas. Estava, de novo, pensando no que não devia. Não sabia mais como evitar. Sentia algo pegajoso atolado no peito, que dificultava sua respiração.
Deitou as costas na calçada onde estava e fechou os olhos. Sentia o que antes era uma leve dor de cabeça se tornando progressivamente mais forte, na medida que o trio elétrico daquela tarde fazia os carnavalescos ficarem mais e mais animados. Sentia a pele em contato com o chão sujo, os pelos do corpo eriçados por nenhum motivo aparente. Sentia cheiro de cerveja e de shampoo. Sentia a água lutando contra suas pálpebras fechadas.
Clemence foi assaltada por lembranças. Através do nada, ela enxergou um garoto de cabelos pretos e expressão risonha. Ele perguntou se ela queria ajuda para parar de chorar, ao que ela respondeu positivamente. E ele a beijou, puxando-a para si no exato momento em que ela dava um impulso e sentava em seu colo. Mordeu os lábios.
Clemence dançava, ao som de uma música instrumental acompanhada apenas por vozes que sussurravam. Seus movimentos eram líquidos, seu fôlego instável.
Clemence colocava um pé na frente do outro, enxergando tudo desfocado. Viu um cruzamento. Viu seu corpo ser atropelado uma, duas, três, quatro, cinco, seis vezes no total.
Clemence estava de frente para um espelho sujo e rachado, apoiado numa pia de mármore frio onde também havia uma tesoura. Ela pegou a tesoura, segurou com uma das mãos uma longa mecha de seus cabelos, e a cortou na altura do queixo. Ficou olhando os fios caírem lentamente.
Clemence apertava os ouvidos com força. Mas, na sua cabeça, muitas vozes soavam nitidamente. "Já é o segundo, em. Você é boa nisso" "Demônio, menina burra, cobra" "Parabéns! Parabéns, você é a mais nova prostituta do Bar Vestibulandas".
Então de repente aquele mesmo garoto estava em pé na sua frente. Clemence procurava os olhos dele, mas ele desviava o olhar. Ela ergueu a palma da mão, devagar, e examinou os dedos. Tudo normal. Olhou apreensiva para o garoto. Ele não a via.
Clemence agora batia à porta dum quarto com toda a força. Caiu de joelhos e apoiou as mãos no chão. A raiva lhe rasgava o peito. Ela ergueu a cabeça e gritou mais alto do que jamais gritara. Nenhum som saiu.
Clemence agora batia à porta dum quarto com toda a força. Caiu de joelhos e apoiou as mãos no chão. A raiva lhe rasgava o peito. Ela ergueu a cabeça e gritou mais alto do que jamais gritara. Nenhum som saiu.
Clemence estava numa fila não muito longa, esperando para ter os órgãos arrancados. Chegou sua vez. Olhou com curiosidade para a caixa cheia de pulmões e intestinos. Observou o cérebro ser puxado da cabeça, e o coração ser tirado do peito. Mas havia algo errado. Ela olhou para a moça que segurava seus órgãos. Eles estavam pretos.
Clemence escutou, atrás da porta, uma conversa entre o Delírio e a Morte. Ela não tinha medo da Morte. Porque, para ela, a morte significava nada. O absoluto nada. Delírio a agradava. Era muito mais assustador, e tinha uma voz baixa e tentadora. Delírio gostava de Clemence, ele a entendia. Já a Morte teria que aceitá-la de um jeito ou de outro.
Blocos de carnaval se aproximavam. Clemence finalmente se levantou, tonta, e começou a caminhar devagar. Para todo o lado, lembranças. Ela sabia que devia ir para casa de alguém. Se esforçou para pensar em alguém que a acolhesse, e o esforço fez sua cabeça começar a latejar. O céu quase escuro parecia estar cada vez mais baixo, enquanto o chão subia mais e mais. Ela estava sufocando. Por que não sufocar de verdade?
Clemence se suicidou, atônita, naquela mesma noite de verão.
14.2.14
Comptine d'Un Autre Été
"Bem como uma bola de fogo crescendo por dentro, se arrastando pelos cantos. Não sei mais onde guardá-la. Começou queimando meus órgãos, ferveu meu sangue, agora arde minha pele.
Me lembro de quando era pequeno e queria crescer pra poder mudar o mundo logo. Esse mundo errado que assombrava meu sono. Cresci. Cresci e não quero suportar a imutabilidade das coisas. Coisas intocáveis.
Sofro me desprezando por meu próprio sofrimento. Porque o sofrimento alheio é infinitamente maior. Como poderia me permitir sofrer, diante do que me cerca?
Dentro de mim explodem, gritando, as vontades. Mas o som também não tem mais lugar pra ficar. Não no meio do tanto que já ecoa.
Na rua, me fixo em rostos desconhecidos. Há uma maldição de olhar e ver mais do que está simplesmente ali. Deduzindo o passado, analisando o presente, imaginando o futuro de cada rosto novo. Querendo ir embora, sedento por mais.
O que fazer com uma alma pendurada em contradições?
De tudo, o mais importante: A arte foi meu sopro de vida. Meu espaço real, minha libertação. Foi começo, meu meio, meu fim."
Me lembro de quando era pequeno e queria crescer pra poder mudar o mundo logo. Esse mundo errado que assombrava meu sono. Cresci. Cresci e não quero suportar a imutabilidade das coisas. Coisas intocáveis.
Sofro me desprezando por meu próprio sofrimento. Porque o sofrimento alheio é infinitamente maior. Como poderia me permitir sofrer, diante do que me cerca?
Dentro de mim explodem, gritando, as vontades. Mas o som também não tem mais lugar pra ficar. Não no meio do tanto que já ecoa.
Na rua, me fixo em rostos desconhecidos. Há uma maldição de olhar e ver mais do que está simplesmente ali. Deduzindo o passado, analisando o presente, imaginando o futuro de cada rosto novo. Querendo ir embora, sedento por mais.
O que fazer com uma alma pendurada em contradições?
De tudo, o mais importante: A arte foi meu sopro de vida. Meu espaço real, minha libertação. Foi começo, meu meio, meu fim."
11.12.13
111213
Corri um deserto inteiro e cheguei do outro lado do mundo
Do outro lado do mundo, tudo estava incrivelmente mais leve e deliciosamente diferente
Estou nua diante de uma platéia invisível
Cerca-me tudo aquilo que já ameaçou me devorar
Me perco na confusão dos meus sonhos
Danço contente nesse lugar gostoso
Rodopio com vontade e sem medo do abismo que paira logo ao meu lado
Estou suada e cansada e dando risada a toa
A um palmo de me sentir só demais, ouço você próximo/a
Te mordo com vontade
Esse barulho me acalma o corpo
Sinto uma sonolência amiga e adormeço no seu colo. Tudo está bonito
É hora de um novo milênio
25.11.13
Ouvindo Johnny Cash
Não tenho força pra lutar contra mim mesma
eu
meus fones de ouvido
minha mente conturbada
minha vida de brincadeirinhas
minhas perguntas não respondidas
eu
meu nome, meus olhos, alguma intensidade
minha dor
Não tenho mais sentido
Não tenho mais palavras pra escrever
Não tenho mais juízo
Não tenho mais ninguém pra recorrer
E todos esquecem, esquecem, esquecem, esquecem. Eu-me-lembro.
A chuva fina
Contra meus olhos quentes
Me fez fria
eu
meus fones de ouvido
minha mente conturbada
minha vida de brincadeirinhas
minhas perguntas não respondidas
eu
meu nome, meus olhos, alguma intensidade
minha dor
Não tenho mais sentido
Não tenho mais palavras pra escrever
Não tenho mais juízo
Não tenho mais ninguém pra recorrer
E todos esquecem, esquecem, esquecem, esquecem. Eu-me-lembro.
A chuva fina
Contra meus olhos quentes
Me fez fria
13.11.13
Quem disse que lua não cura
Se eu morasse na lua,
estaria distante de tudo e de todos
E sozinha na lua,
não me sentiria mais sozinha do que me sinto aqui
Se meu lar fosse a lua,
de fase em fase, nos tornaríamos amigas
E amiga da lua,
não me sentiria tão sozinha quanto me sinto aqui
Ah, se eu pudesse deitar-me na lua
Seria toda dela, ela seria toda minha
De um jeito que ninguém nunca foi de ninguém
Se essa lua fosse minha
Faria do seu luar um luar mais belo ainda
Se somente essa lua
essa lua que não tem dono nem lugar certo do mundo
Se somente essa lua
tão como eu
Se somente ela fosse minha...
Ei,
vem ser sozinha comigo.
estaria distante de tudo e de todos
E sozinha na lua,
não me sentiria mais sozinha do que me sinto aqui
Se meu lar fosse a lua,
de fase em fase, nos tornaríamos amigas
E amiga da lua,
não me sentiria tão sozinha quanto me sinto aqui
Ah, se eu pudesse deitar-me na lua
Seria toda dela, ela seria toda minha
De um jeito que ninguém nunca foi de ninguém
Se essa lua fosse minha
Faria do seu luar um luar mais belo ainda
Se somente essa lua
essa lua que não tem dono nem lugar certo do mundo
Se somente essa lua
tão como eu
Se somente ela fosse minha...
Ei,
vem ser sozinha comigo.
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